
Recordamos o Rio Mondego, que em Coimbra, há anos, deslizava timidamente, quase envergonhado pelo imenso areal, tentando cada vez mais enfraquecido, chegar ao mar. A Barragem da Aguieira, uma belíssima obra até pelo aspecto da sua arquitectura, com o enquadramento do Açude da Raiva, para além das albufeiras a montante, trouxe para a cidade, um lago permanente, um regalo para os olhos, amenizou o seu clima, disciplinou o comportamento dos caudais, garantiu a abastecimento de água, e, claro, para além da produção eléctrica, sustenta o sistema de rega do Baixo Mondego. Enfim, uma mais valia ambiental.
A Engenharia Portuguesa tem grande conhecimento na planificação e construção de obras deste tipo, tão bem expresso nas Barragens de Castelo de Bode, Alqueva, Cohora Bassa, Aguieira, etc; obras de grande longevidade, que tecnologicamente domina.
Temos a questão de Quioto, com o controle das emissões, os caminhos do nuclear, sinuosos, labirínticos, que ninguém está na disposição de percorrer e o custo do petróleo, entre outros argumentos, a impor-nos a construção da Barragem de Ribeiradio. Surpreende-nos, no entanto, o vacilar do poder político, os avanços, os recuos, produzindo uma dilação não compreensível. Este empreendimento, com tão óbvias prioridades, não pode ter concursos realizados, anulados, modificados e esperar 50 ou 60 anos para ser realidade.
A culpa não será só dos governos, dos ministros, dos institutos.
Sendo destes, é também, de todas as instituições interessadas, a montante e a jusante de Ribeiradio, que em uníssono e em permanência, têm de projectar a irreversibilidade da barragem e da urgência da sua construção.